As assaduras no calcanhar são daqueles pequenos incómodos que, se não forem tratados a tempo, podem acabar por estragar uma caminhada, um dia de trabalho ou a estreia de uns sapatos novos.
Costumam começar com uma sensação muito concreta: calor, ardor, pressão ou uma zona que “avisa” a cada passo que damos. E convém ouvir esse aviso. Porque muitas bolhas não aparecem de repente: começam como uma fricção repetida que o pé vai aguentando até a pele ficar irritada.
A boa notícia é que, se forem detetadas cedo, muitas assaduras podem ser travadas antes de irem mais longe.
O que são as assaduras no calcanhar e como reconhecê-las
Uma assadura no calcanhar é uma irritação da pele causada, normalmente, pelo atrito repetido entre o pé, a meia e o sapato.
Ao início pode sentir-se como uma zona quente, sensível ou avermelhada. Às vezes quase não se vê nada, mas a sensação é clara: algo está a roçar onde não devia.
Os sinais mais frequentes são:
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Vermelhidão na parte de trás do calcanhar
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Sensação de queimadura ou ardor
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Pele mais sensível ao toque
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Desconforto ao caminhar
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Aparecimento posterior de uma bolha se o atrito continuar
O problema não costuma ser só “o sapato novo”. Muitas vezes há vários fatores juntos: um contraforte rígido, uma meia que se mexe, humidade dentro do calçado ou um ajuste que não acompanha bem o pé.
Porque aparecem as assaduras no calcanhar
As assaduras aparecem quando a pele suporta mais fricção ou pressão do que consegue tolerar. O calcanhar é uma zona especialmente habitual porque está em contacto direto com a parte de trás do sapato e participa em cada apoio ao caminhar.
Fricção, pressão e calor dentro do sapato
A fricção é o atrito repetido. Quando o calcanhar se mexe contra o sapato ou contra a meia, a pele começa a irritar-se.
A isto podem juntar-se o calor e a humidade, que tornam a pele mais vulnerável. Uma pele húmida costuma resistir pior ao atrito, por isso muitas assaduras aparecem depois de caminhar muito, em dias quentes ou quando o pé transpira mais do que o habitual.
Nem sempre é preciso uma caminhada longa. Às vezes basta um ponto duro no calçado e uns minutos de atrito contínuo para o calcanhar começar a queixar-se.

Calçado rígido, estreito ou mal ajustado
Um sapato pode fazer assadura por diferentes motivos.
Pode ser demasiado rígido na zona do calcanhar, ter um contraforte duro, uma costura mal colocada ou uma forma que não encaixa bem no pé. Também pode acontecer quando o sapato fica demasiado justo e comprime a zona, ou quando fica demasiado grande e o calcanhar escorrega a cada passo.
Aqui o ajuste é fundamental. Um sapato não devia apertar, mas também não devia deixar o pé dançar lá dentro. Quando o calcanhar sobe e desce demasiado ao caminhar, o atrito aumenta e a pele acaba por pagar essa falta de estabilidade.
Meias com costuras, humidade ou tamanho errado
As meias também influenciam muito mais do que parece.
Uma meia com costuras grossas, rugas ou um tamanho que não se adapta bem pode criar pontos de pressão. Se, além disso, se mexe dentro do sapato ou acumula humidade, o risco de assadura aumenta.
O ideal é escolher meias que acompanhem o movimento sem fazer dobras, que não comprimam em excesso e que ajudem a manter o pé confortável durante mais tempo.
Como travar uma assadura no calcanhar a tempo
A chave está em agir assim que aparece o primeiro sinal. Não é preciso esperar que a pele esteja levantada ou que saia uma bolha.
Se sentes calor, ardor ou um ponto que começa a incomodar, o pé já te está a avisar.
Para a atividade assim que sentires calor ou ardor
Quando aparece essa sensação de queimadura no calcanhar, o melhor é parar um momento.
Pode parecer exagerado, mas uns minutos a tempo podem evitar uma bolha que depois demore dias a sarar. Tira o sapato, vê a zona e verifica se há vermelhidão, uma costura marcada, a meia enrugada ou um ponto duro no contraforte.
Muitas vezes, basta recolocar a meia ou ajustar melhor o fecho do sapato para reduzir o atrito.
Limpa, seca e protege a zona de atrito
Se a pele está irritada mas não há ferida aberta, limpa a zona com suavidade e seca-a bem. A humidade não ajuda quando a pele já está sensível.
Depois, protege o ponto de atrito antes de continuares a caminhar. Podes usar uma proteção específica, um penso adequado ou uma barreira que reduza a fricção entre a pele e o sapato.
O importante é não continuar como se nada fosse. Se o atrito continuar, a pele pode levantar e transformar-se numa bolha.
Usa pensos ou proteção antes de sair a bolha
Os pensos não servem só quando já há bolha. Também podem usar-se antes, quando sentes que uma zona começa a sofrer.
Nesses casos, ajudam a reduzir a fricção e a proteger a pele enquanto terminas a atividade. É especialmente útil levar alguns contigo quando estreias sapatos, fazes percursos longos ou sabes que vais passar muitas horas a caminhar.
Um pequeno gesto pode evitar um incómodo bastante desagradável.

Como prevenir assaduras no calcanhar ao estrear sapatos
Estrear sapatos não devia ser sinónimo de sofrer. É normal que um calçado novo precise de alguma adaptação, mas não devia provocar dor nem feridas desde o primeiro dia.
Deixa espaço suficiente sem que o calcanhar dance
Para evitar assaduras, o sapato deve ter espaço, mas também estabilidade.
Na parte da frente, os dedos precisam de margem para se mexerem sem ir comprimidos. Mas na zona do calcanhar, o ajuste deve acompanhar bem o pé. Se o calcanhar se levanta demasiado a cada passo, gera-se um atrito constante na parte de trás.
A sensação ideal é: o pé tem espaço, os dedos não estão apertados e o calcanhar mantém-se estável sem pressão dura.
Verifica o contraforte, as costuras e os pontos duros
Antes de estrear um sapato durante muitas horas, convém verificá-lo com as mãos.
Toca na zona do calcanhar por dentro. Verifica se há costuras grossas, bordos rígidos, relevos ou zonas duras que possam coincidir mesmo com a pele. Às vezes o incómodo não vem do tamanho, mas de um detalhe concreto de fabrico ou design.
Também é útil experimentá-lo em casa durante um bocado e observar se aparece algum ponto de pressão antes de o usares na rua durante o dia inteiro.
Adapta o calçado de forma progressiva
Mesmo que um sapato seja confortável, nem sempre convém estreá-lo de uma vez durante muitas horas.
Começa com períodos curtos. Usa-o em contextos controlados, observa como o pé responde e aumenta o tempo pouco a pouco. Isto é especialmente importante se vens de um calçado muito diferente, se o material ainda está um pouco rígido ou se tens uma zona do calcanhar sensível.
A adaptação progressiva permite detetar problemas antes de se transformarem em lesão.
Que calçado ajuda a evitar assaduras no calcanhar
O calçado não pode evitar todas as assaduras, porque também influem a pele, as meias, a atividade e a forma de caminhar. Mas pode criar um contexto muito mais amigável para o pé.
Forma anatómica, flexibilidade e ajuste estável
Uma forma anatómica permite que o pé tenha espaço real, especialmente na zona dos dedos. Mesmo que a assadura esteja no calcanhar, o espaço da frente também importa: quando o pé vai comprimido, pode mudar a forma de apoiar e aumentar tensões ou deslocamentos dentro do sapato.
A flexibilidade também ajuda o calçado a acompanhar melhor o movimento, em vez de obrigar o pé a adaptar-se a uma estrutura demasiado rígida.
Mas, além de espaço e flexibilidade, é preciso um ajuste estável. Um sapato demasiado solto pode roçar tanto como um demasiado estreito.
Materiais suaves, respiráveis e sem rigidez excessiva
Os materiais do calçado influenciam muito o conforto do calcanhar.
Uma parte de trás demasiado dura pode gerar pressão direta. Já materiais mais suaves, com bom acabamento interior e sem costuras agressivas, costumam reduzir o risco de atrito.
A respirabilidade também conta. Se o pé se mantém mais seco, a pele costuma tolerar melhor a atividade. Por isso não importa só que o sapato seja bonito ou que tenha o tamanho certo: também importa como está construído por dentro.
Palmilhas de transição se vens de calçado tradicional
Se vens de calçado muito amortecido, muito rígido ou com bastante elevação no calcanhar, a mudança para um calçado mais flexível ou minimalista pode precisar de adaptação.
Em alguns casos, uma palmilha de transição pode ajudar o pé a habituar-se de forma mais progressiva. Não se trata de depender sempre dela, mas de a usar como ferramenta temporária quando a mudança é muito brusca ou quando o pé ainda precisa de mais acompanhamento.
O importante é ouvir as sensações: conforto, estabilidade e ausência de dor são sinais muito mais úteis do que forçar uma adaptação rápida.

O que fazer se a assadura já se transformou numa bolha
Quando a assadura já avançou e aparece uma bolha, a prioridade muda: agora é preciso proteger a pele e evitar que infete ou piore.
Quando a deixar intacta
Se a bolha está fechada, não dói demasiado e não impede de caminhar, costuma ser melhor deixá-la intacta. A pele que a cobre atua como uma proteção natural e ajuda a proteger a zona enquanto recupera.
Nesse caso, convém mantê-la limpa, seca e protegida com um penso adequado. Também é importante evitar o sapato que provocou a bolha, pelo menos até a pele recuperar.
Se a bolha é grande, dói muito ou dificulta o caminhar, o recomendável é ir a um podologista. Na consulta, se for necessário, poderá furá-la com material estéril, esvaziar o líquido sem retirar a pele que a cobre e indicar os cuidados adequados, por exemplo com Betadine ou outro antisséptico indicado.
Rebentá-la em casa ou manipulá-la sem medidas de higiene pode deixar a pele mais exposta e aumentar o risco de infeção.
Quando consultar um podologista ou um especialista
Convém consultar um podologista ou um especialista se a bolha é muito dolorosa, se aparece com frequência no mesmo ponto, se há vermelhidão intensa, secreção, mau cheiro, aumento de temperatura ou se tens dúvidas sobre como tratá-la.
Também é recomendável pedir uma avaliação se as assaduras se repetem com sapatos diferentes. Nesse caso pode haver um problema de ajuste, de apoio, de forma do calcanhar, de escolha de tamanho ou de tipo de calçado.
E se existe diabetes, problemas circulatórios ou alterações de sensibilidade nos pés, qualquer ferida ou bolha deve ser tratada com mais precaução.
Perguntas frequentes sobre assaduras no calcanhar
Porque é que o sapato me roça sempre no calcanhar?
Pode dever-se a várias causas: um contraforte rígido, um sapato que não encaixa bem na forma do teu pé, excesso de movimento do calcanhar, meias que fazem dobras ou uma zona da pele especialmente sensível.
Se te acontece sempre no mesmo ponto, não o normalizes. Verifica o interior do sapato, o ajuste e o tamanho. Às vezes o problema não é que “o teu pé seja delicado”, mas sim que o calçado não está a acompanhar bem.
Como evitar que o sapato me magoe atrás?
O primeiro passo é confirmar que o calcanhar não dança ao caminhar, mas que também não está comprimido. Depois, verifica se há costuras, bordos duros ou um contraforte demasiado rígido.
Também te pode ajudar usar meias adequadas, proteger a zona antes de caminhar muito e estrear o calçado de forma progressiva. Se o sapato magoa desde o primeiro momento e sempre no mesmo ponto, provavelmente não é o melhor ajuste para o teu pé.
Que meias ajudam a prevenir assaduras?
As melhores meias são as que se adaptam bem ao pé, não fazem rugas e mantêm uma sensação seca e confortável durante o uso.
Convém evitar meias demasiado grandes, que se mexem e formam dobras, ou demasiado pequenas, que comprimem e geram tensão. As costuras grossas também podem ser um problema se coincidem com zonas de atrito.
Em caminhadas longas ou ao estrear sapatos, uma boa meia pode fazer muita diferença.
É melhor um sapato largo para evitar assaduras?
Depende do que entendemos por largo.
Um sapato com forma anatómica e espaço suficiente para os dedos pode ajudar o pé a mexer-se com mais conforto. Mas se o sapato é largo sem um bom ajuste, o pé pode escorregar lá dentro e aumentar o atrito no calcanhar.
A chave não é escolher um sapato “grande”, mas um calçado com espaço onde o pé precisa e sujeição estável onde faz falta. No caso do calcanhar, isso significa que não deve apertar, mas também não deve dançar.
Põe à prova
Responde às perguntas para ver quanto sabes.
1. ¿Cuál suele ser una de las primeras señales de una rozadura en el talón?
2. ¿Qué puede aumentar el riesgo de rozadura dentro del zapato?
3. Al estrenar zapatos, ¿qué es recomendable hacer para evitar rozaduras?
4. Si el talón se levanta demasiado al caminar, puede ocurrir que…
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