Os primeiros passos de um bebé costumam viver-se com muita emoção. É um daqueles momentos que as famílias esperam, gravam e recordam durante anos. Mas também pode despertar dúvidas: “já devia andar?”, “está mais lento do que outros bebés?”, “tenho de o ajudar mais?”, “precisa de sapatos?”.
A realidade é que nem todos os bebés começam a andar com a mesma idade. Cada pequenote tem o seu ritmo, a sua forma de se mover e a sua maneira de ganhar segurança. Mais do que olhar apenas para o mês exato em que começa a andar, convém observar como o seu corpo se está a preparar: se se levanta, se procura apoio, se se desloca, se experimenta o equilíbrio e se mostra vontade de se mover por si próprio.
Acompanhar esta etapa não consiste em acelerar o processo, mas sim em criar um ambiente seguro para que o bebé possa explorar, experimentar e avançar pouco a pouco.
Quando os bebés começam a andar e que intervalos são normais
Muitos bebés começam a dar os primeiros passos por volta do primeiro ano, mas não é uma data fixa. Há pequenotes que andam um pouco antes e outros que precisam de mais tempo.
Em geral, a marcha independente pode surgir entre os 9 e os 18 meses. Quando falamos de marcha independente não nos referimos a um passo isolado agarrado a uma mão, mas sim a que o bebé seja capaz de dar vários passos sem ajuda e sem cair de forma imediata.
Antes de andar sozinho, o habitual é que o bebé passe por pequenas conquistas: controlar melhor a cabeça e o tronco, virar-se, rastejar, gatinhar ou deslocar-se de alguma maneira, pôr-se de pé com apoio, dar passos laterais agarrado aos móveis e, por fim, largar-se.
Por isso, comparar um bebé com outro nem sempre ajuda. Duas crianças da mesma idade podem estar em momentos diferentes e ambas seguir uma evolução normal. Uma pode lançar-se cedo, com passos inseguros e muitas quedas; outra pode demorar mais, mas começar quando já se sente mais estável.
O importante é olhar para o conjunto: como se move, se ganha força, se usa ambos os lados do corpo, se se interessa por se deslocar e se vai adquirindo novas competências com o tempo.
Além disso, começar a andar não significa andar como um adulto. A marcha vai-se organizando ao longo dos primeiros anos. No início é normal que os passos sejam irregulares, que afaste mais as pernas, que abra os braços para se equilibrar ou que mude muito a forma de apoiar.

Sinais de que o teu bebé está preparado para andar
Antes dos primeiros passos costuma haver sinais bastante claros. Não aparecem todos ao mesmo tempo nem sempre pela mesma ordem, mas indicam que o bebé está a começar a construir a força, o equilíbrio e a confiança de que precisa para andar.
Põe-se de pé com apoio
Um dos primeiros sinais costuma ser que o bebé tenta levantar-se agarrando-se a móveis, grades, pernas ou qualquer superfície estável que tenha por perto.
Este gesto parece simples, mas implica muito trabalho: precisa de força nas pernas, controlo do tronco, coordenação e equilíbrio. No início pode levantar-se com esforço, ficar rígido ou não saber muito bem como voltar a sentar-se. Pouco a pouco, aprende a flexionar os joelhos, a controlar melhor o corpo e a descer com mais segurança.
Nesta fase é importante que o ambiente seja estável. É melhor oferecer superfícies firmes e seguras do que tentar levantá-lo constantemente pelas mãos.
Dá passos laterais agarrado aos móveis
Depois de se pôr de pé, muitos bebés começam a deslocar-se de lado apoiando-se no sofá, numa mesa baixa ou nalgum móvel estável. A isto costuma chamar-se marcha lateral com apoio.
É uma etapa muito importante porque o bebé começa a transferir o peso de uma perna para a outra. Aprende a mover um pé, a recolocar o outro, a agarrar-se, a largar uma mão e a calcular distâncias.
Embora ainda não ande sozinho, já está a treinar muitas das competências que usará mais adiante: equilíbrio, coordenação, apoio plantar e orientação no espaço.
Mantém o equilíbrio durante alguns segundos
Outro sinal típico é que o bebé fica de pé durante alguns segundos sem se segurar. Por vezes acontece quase sem dar conta: larga-se para apanhar um brinquedo, bate palmas, olha para alguém ou muda de apoio.
No início esse equilíbrio dura muito pouco. Pode sentar-se logo a seguir, cair sobre a fralda ou procurar novamente o móvel. É normal. Manter-se de pé sem apoio exige ajustar constantemente o corpo.
Estes pequenos segundos são importantes porque o ajudam a perceber como colocar os pés, como distribuir o peso e como reagir quando perde a estabilidade.
Mostra interesse em deslocar-se sozinho
Nem todos os bebés se lançam da mesma maneira. Alguns são mais atrevidos e dão passos mesmo que caiam muitas vezes. Outros observam mais, experimentam pouco a pouco e precisam de se sentir muito seguros antes de se largarem.
O interesse em deslocar-se pode manifestar-se de muitas formas: tenta chegar a um brinquedo, move-se em direção a uma pessoa, larga-se por um instante, empurra objetos ou procura novas maneiras de avançar.
Esse desejo de se mover por si próprio é uma parte importante do processo. Quando o bebé tem oportunidade de explorar num espaço seguro, costuma ir encontrando os seus próprios recursos.

Etapas antes dos primeiros passos
Andar não aparece de repente. Antes há todo um processo de maturação que começa muito antes de se pôr de pé.
Controlo da cabeça e do tronco
O controlo da cabeça e do tronco é uma base fundamental para o movimento. Antes de andar, o bebé precisa de aprender a sustentar-se, a virar-se, a sentar-se, a inclinar-se e a voltar ao centro.
Tudo isto o ajuda a organizar o corpo. Quando o tronco ganha estabilidade, as pernas e os braços podem mover-se com mais coordenação.
Por isso, as etapas anteriores não são “entulho”. Cada postura, cada rotação e cada tentativa de se levantar fazem parte da aprendizagem motora.
Gatinhar, rastejar ou deslocamento livre
O gatinhar costuma aparecer antes da marcha e pode fazer-se de muitas formas. Alguns bebés gatinham sobre as mãos e os joelhos, outros rastejam, outros deslocam-se sentados e outros passam menos tempo nesta fase antes de andar.
O gatinhar típico, apoiando as mãos e os joelhos, pode fornecer uma base muito interessante para o controlo motor, a coordenação entre braços e pernas e a preparação da marcha. Também ajuda o bebé a relacionar-se com o espaço a partir do chão e a ganhar segurança antes de se pôr de pé.
Mas o facto de um bebé não gatinhar de forma clássica não significa automaticamente que haja um problema. O importante é que tenha oportunidades de se mover livremente, mudar de postura, explorar e ganhar força sem estar sempre limitado por espreguiçadeiras, cadeiras ou dispositivos.
Convém prestar mais atenção se o deslocamento for muito assimétrico de forma mantida, por exemplo se arrastar sempre uma perna, usar claramente mais um lado do corpo ou evitar apoiar uma parte. Nesses casos, uma avaliação profissional pode ajudar a perceber se é simplesmente a sua forma de se mover ou se há algo a verificar.
Bipedestação e equilíbrio
A bipedestação é a etapa em que o bebé começa a estar de pé. Primeiro com muito apoio, depois com menos, e mais adiante durante alguns segundos por si só.
Nesta fase o pé começa a receber novas cargas. O bebé experimenta como apoiar, como afastar os pés para se sentir mais estável e como recolocar o corpo quando perde o equilíbrio.
No início é normal que ande com as pernas mais afastadas, os braços abertos e passos irregulares. Essa postura ajuda-o a sentir-se mais seguro enquanto aprende.
Também pode variar a orientação dos pés. Nos primeiros anos a marcha ainda está a amadurecer, por isso podem surgir apoios um pouco mais abertos, mais fechados ou passos pouco constantes. O importante é observar se evolui, se é simétrico e se o pequenote se move sem dor nem limitações marcantes.
Como acompanhar os primeiros passos sem forçar
Acompanhar não significa antecipar. O bebé não precisa que lhe ensinemos a andar como se fosse uma tarefa. Precisa de espaço, tempo, segurança e presença.
Movimento livre e ambiente seguro
Uma das melhores formas de acompanhar esta etapa é preparar um ambiente onde possa mover-se com liberdade. Chão desimpedido, móveis estáveis, esquinas protegidas e objetos perigosos fora do seu alcance.
Passar tempo no chão também é importante. A partir daí pode virar-se, rastejar, gatinhar, sentar-se, levantar-se e voltar a descer. O chão oferece-lhe oportunidades reais para praticar.
Quando o bebé se move livremente, vai experimentando os seus limites pouco a pouco. Aprende quando pode avançar, quando precisa de apoio e como recuperar o equilíbrio.
Porque não convém antecipar etapas
Por vezes, por entusiasmo ou por comparação, podemos tentar que o bebé ande antes de estar preparado. Mas antecipar etapas não faz com que ande melhor.
Pô-lo de pé constantemente, levá-lo pelas mãos durante muito tempo ou insistir para que dê passos quando ainda não tem controlo suficiente pode fazer com que dependa demasiado do adulto e não aprenda a organizar o seu equilíbrio por si próprio.
Cada etapa contribui com algo. O tempo no chão, as mudanças de postura, o gatinhar ou o deslocamento livre ajudam a construir a base de que mais tarde precisará para andar com mais segurança.
Quando evitar andarilhos ou ajudas desnecessárias
Os andarilhos não costumam ser recomendáveis. Embora possam dar uma sensação de autonomia, não ensinam o bebé a andar de forma real. Em muitos casos colocam o pequenote numa postura para a qual talvez ainda não esteja preparado e podem favorecer deslocamentos rápidos sem o controlo suficiente.
Também convém evitar ajudas que mantenham o bebé de pé de forma artificial durante muito tempo. Se precisa de demasiado apoio para se manter, provavelmente ainda está a construir essa competência.
É melhor permitir que se agarre a móveis seguros, que empurre objetos estáveis adaptados à sua etapa ou que pratique a partir do chão. A chave é que participe ativamente, e não que o dispositivo faça o trabalho por ele.
Que calçado escolher quando começa a andar
Quando o bebé está em casa ou num espaço seguro, o ideal costuma ser que possa mover-se descalço ou com meias antiderrapantes, sempre que a temperatura e o ambiente o permitam. Assim o pé pode receber melhor a informação do apoio e participar no equilíbrio.
O calçado começa a fazer mais sentido quando o bebé anda no exterior ou precisa de proteção contra o frio, o chão ou possíveis atritos. Nesse momento, o importante é escolher um sapato que proteja sem limitar.
Um bom calçado de primeiros passos não deveria tornar o sapato protagonista, mas sim o pé. Deve proteger, acompanhar e deixar que o bebé continue a descobrir como se mover.

Biqueira larga e horma anatómica
O pé de um bebé não tem forma de bico. Os seus dedos precisam de espaço para se abrir, apoiar e ajudar no equilíbrio.
Por isso, uma biqueira larga e uma horma anatómica são especialmente importantes nesta etapa. O sapato não deveria comprimir os dedos nem obrigá-los a colocar-se para dentro.
Um bom truque é retirar a palmilha, se for removível, e colocar o pé por cima. Assim consegue-se ver se os dedos têm espaço real ou se o sapato parece amplo por fora, mas estreito por dentro.
Sola fina, flexível e drop 0
A sola deve ser flexível para que o pé se possa mover. Se um sapato for demasiado rígido, o bebé tem mais dificuldade em dobrar o pé, ajustar o apoio e adaptar-se ao chão.
Também convém que seja uma sola fina, sem excesso de amortecimento. Nos primeiros passos, o bebé não precisa de uma estrutura pesada nem de uma sola muito alta, mas sim de uma base que lhe permita notar melhor como apoia.
O drop 0 significa que o calcanhar e o antepé estão à mesma altura. Não há elevação na parte traseira. Isto ajuda a que o pé apoie sem uma inclinação acrescentada dentro do sapato.
Nesta etapa, a ideia é que o calçado interfira o menos possível: que proteja, mas que não bloqueie o movimento do pé nem lhe retire demasiada informação ao apoio.
Materiais respiráveis e ajuste fácil
Nos bebés, o calçado também tem de ser prático. Materiais suaves, respiráveis e agradáveis ao toque ajudam a evitar atritos e excesso de calor.
O ajuste deve ser simples, mas seguro. Velcros, elásticos ou sistemas fáceis de abrir permitem colocar bem o pé sem lutar com o sapato.
Atenção, ajuste não significa pressão. O sapato deve segurar o suficiente para que não saia, mas sem apertar o peito do pé, os dedos ou o calcanhar.
Quando consultar um profissional
Embora cada bebé tenha o seu ritmo, há situações em que convém consultar o pediatra, o fisioterapeuta pediátrico ou o podologista infantil.
É recomendável pedir uma avaliação se o bebé não mostrar interesse em pôr-se de pé ou deslocar-se com o passar dos meses, se não andar por volta dos 18 meses, se usar claramente mais um lado do corpo do que o outro, se houver muita rigidez ou muita flacidez, se arrastar uma perna, se parecer ter dor ou se perder competências que já tinha adquirido.
Também convém consultar se, ao começar a andar, as quedas forem muito frequentes durante muito tempo, se o apoio parecer muito assimétrico ou se a família notar algo que a preocupe.
Consultar não significa alarmar-se. Muitas vezes serve para confirmar que está tudo bem ou para detetar pequenas necessidades de acompanhamento a tempo.
Perguntas frequentes sobre os primeiros passos
É normal que ande mais tarde do que outros bebés?
Sim, pode ser normal. Há bebés que andam antes do ano e outros que começam mais perto dos 16, 17 ou 18 meses. O desenvolvimento não é uma corrida.
Mais do que reparar apenas na idade exata, convém observar se o bebé vai avançando: se se move, se se levanta, se procura apoio, se ganha equilíbrio e se mostra interesse em deslocar-se.
Se se aproximar dos 18 meses e ainda não andar de forma independente, ou se houver outros sinais preocupantes, o adequado é consultar um profissional.
É mau que não gatinhe antes de andar?
Não necessariamente. O gatinhar é uma etapa muito interessante e benéfica, mas nem todos os bebés gatinham da mesma maneira. Alguns rastejam, outros deslocam-se sentados e outros passam rapidamente a pôr-se de pé.
O importante é que o bebé tenha oportunidades de se mover no chão, mudar de postura, explorar e usar o seu corpo de forma ativa.
Convém verificar se o deslocamento é muito assimétrico, se evita sempre apoiar uma parte do corpo ou se, além disso, há pouca mobilidade, muita rigidez ou dificuldade em sustentar-se.
Deve usar sapatos antes de andar?
Antes de andar, os sapatos não costumam ser necessários, exceto para proteger do frio ou do ambiente. Em casa, se o espaço for seguro, o pé costuma estar melhor livre, descalço ou com meias antiderrapantes.
Quando começa a andar fora de casa, o sapato deve proteger sem bloquear. É melhor escolher um calçado leve, flexível, com biqueira larga, sola fina e sem elevação entre o calcanhar e o antepé.
Que sinais indicam que o calçado o limita?
Há vários sinais que podem indicar que o sapato não está a acompanhar bem o movimento do bebé:
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Os dedos ficam marcados ou apertados.
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O pequenote tropeça mais desde que usa esse calçado.
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Custa-lhe flexionar o pé ao andar.
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Tira os sapatos constantemente.
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Aparecem vermelhidões, marcas ou esfoladelas.
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Anda mais rígido ou parece menos seguro.
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O sapato pesa demasiado ou não se dobra com facilidade.
Um calçado adequado para os primeiros passos deve proteger sem se impor. Quanto menos limitar o movimento do pé, mais fácil será que o bebé continue a explorar, a ajustar o seu equilíbrio e a ganhar confiança passo a passo.
Põe à prova
Responde às perguntas para ver quanto sabes.
1. Com que idade costuma considerar-se normal que um bebé comece a andar de forma independente?
2. Qual destes sinais pode indicar que o bebé se está a preparar para andar?
3. Se um bebé não gatinha de forma clássica antes de andar…
4. Que tipo de calçado costuma ser mais adequado quando o bebé começa a andar fora de casa?
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