Dor no bordo externo do pé: o que verificar na tua passada e na tua rotina

Dor no bordo externo do pé: o que verificar na tua passada e na tua rotina

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A dor no bordo externo do pé pode surgir de muitas formas: como um desconforto ligeiro ao caminhar, uma pressão sob os dedos pequenos, uma sensação de carga na parte lateral ou uma dor mais pontual perto do quinto metatarso.

Por vezes surge depois de caminhar mais do que o habitual, mudar de sapatilhas, começar a correr, passar muitas horas de pé ou usar um calçado que não acompanha bem o pé. Outras vezes, em vez disso, pode estar relacionada com a forma como distribuímos o peso ao pisar.

Por isso, mais do que ficarmos só pelo “dói-me a lateral do pé”, convém observar o contexto: quando surge, com que sapatos, em que zona exata e se há sinais de sobrecarga, pressão ou instabilidade.

O que significa ter dor no bordo externo do pé

Quando falamos do bordo externo do pé referimo-nos à zona lateral, a que vai desde o calcanhar externo até à base do quinto dedo. É uma parte do pé que participa muito na estabilidade, nos pequenos ajustes ao caminhar e na adaptação ao terreno.

Se esta zona começa a doer, pode ser um sinal de que o pé está a receber mais carga do que consegue gerir nesse momento. Nem sempre significa que haja uma lesão importante, mas é um desconforto que merece atenção, sobretudo se se repetir ou for aumentando.

Pode surgir por uma sobrecarga pontual, por um apoio muito marcado para fora, por calçado que comprime ou limita o movimento, ou por uma mudança brusca na atividade física. A chave está em não olhar só para o ponto que dói, mas para tudo o que pode estar a influenciar à volta.

Causas frequentes da dor na zona lateral do pé

A dor na lateral externa pode ter várias origens. Algumas são mais ligeiras e estão relacionadas com a carga diária; outras necessitam de uma avaliação profissional, especialmente se a dor for intensa, surgir inflamação ou custar apoiar.

Sobrecarga no quarto e quinto metatarso

Os metatarsos são os ossos longos que estão antes dos dedos. Na parte externa do pé encontramos o quarto e o quinto metatarso, que podem receber muita pressão quando o apoio se desloca demasiado para fora.

Isto pode acontecer ao caminhar muitos quilómetros, correr, estar muitas horas de pé ou usar um calçado que não distribui bem a carga. O desconforto costuma sentir-se na parte da frente e lateral do pé, perto dos dedos externos.

Também podem surgir durezas ou zonas de pressão sob o quarto e quinto dedo. Estes sinais não são casuais: muitas vezes indicam que essa zona está a suportar mais carga do que deveria.

Apoio excessivo sobre a lateral externa

Há pessoas que, ao caminhar, tendem a carregar mais peso sobre a parte externa do pé. Por vezes nota-se no desgaste da sola, na sensação de andar “por fora” ou no facto de a dor surgir sempre na mesma lateral.

Não se trata de rotular a passada nem de corrigir por corrigir, mas de observar como o pé se está a comportar. Se o apoio externo for muito marcado e se mantiver ao longo do tempo, pode aumentar a pressão sobre o quinto metatarso, a zona do cuboide ou os tendões que passam pela lateral do tornozelo e do pé.

Calçado estreito, rígido ou com pouca estabilidade

O calçado também pode influenciar muito. Uma biqueira estreita pode empurrar os dedos para dentro e aumentar a pressão na parte externa do antepé. Uma sola rígida pode limitar os pequenos movimentos do pé. E uma sapatilha que não se adapta bem pode fazer com que o pé procure estabilidade de formas pouco eficientes.

Quando o sapato não deixa espaço suficiente, o pé não apoia da mesma forma. Os dedos podem perder capacidade de se abrir, ajustar e participar em cada passo. E essa falta de espaço pode acabar por gerar pressão em zonas concretas, como o bordo externo.

Também convém verificar se o pé se move demasiado dentro do sapato. Por vezes não é só uma questão de estreiteza: um mau ajuste também pode provocar atritos, instabilidade ou compensações.

Mudanças bruscas na atividade física

Muitos desconfortos surgem depois de uma mudança: começar a correr, aumentar os quilómetros, caminhar muito nas férias, treinar mais dias seguidos ou passar de um calçado muito amortecido para um mais minimalista sem transição.

O pé precisa de tempo para se adaptar às cargas. Se de repente lhe pedimos mais mobilidade, mais trabalho muscular ou mais impacto, pode responder com desconfortos. E uma das zonas onde se pode notar essa falta de adaptação é o bordo externo.

Por isso, quando surge dor, é importante olhar também para a rotina: quanto caminhaste, se mudaste de calçado, se treinaste mais, se estiveste mais horas de pé ou se aumentaste a intensidade demasiado depressa.

O que verificar na tua passada se te dói a lateral do pé

A passada não se observa só olhando para uma pegada. Também se entende vendo como caminhas, onde surge a pressão, como se desgasta o calçado e que sensações tens ao longo do dia.

Se carregas mais peso no bordo externo

Uma pista simples é olhar para a sola dos teus sapatos. Se a parte externa estiver muito mais desgastada do que o resto, pode indicar que carregas bastante por essa zona.

Não é preciso obcecar com cada apoio, mas convém prestar atenção se o padrão se repetir e coincidir com a zona dolorosa.

Se surge dor ao caminhar, correr ou estar de pé

O momento em que a dor surge dá muita informação.

Se dói depois de caminhar muito, pode ser uma sobrecarga. Se surge ao correr, talvez seja preciso verificar o aumento do treino, o terreno, o calçado ou a técnica. Se dói mesmo em repouso ou se custa cada vez mais apoiar, convém não o deixar passar.

Também importa se a dor melhora ao descansar ou se vai aumentando a cada dia. Os desconfortos ligeiros costumam baixar quando se reduz a carga, mas uma dor que se mantém, que se localiza muito num ponto ou que vem acompanhada de inflamação necessita de uma avaliação mais precisa.

Se há durezas, calos ou pressão sob os dedos externos

As durezas não surgem sem razão. Costumam formar-se em zonas onde há mais atrito ou zonas de máxima pressão.

Observar a pele do pé depois de caminhar pode ajudar-te muito: marcas vermelhas, pressão na lateral, unhas que roçam, dedos apertados ou zonas quentes são pistas muito úteis.

Como o calçado influencia a dor no bordo externo

O calçado não explica tudo, mas cria o contexto a partir do qual o pé se move, apoia e distribui a carga. Por isso, quando dói a lateral externa, vale a pena verificar o que andas a usar nos pés.

Biqueira anatómica e espaço para os dedos

Uma biqueira anatómica permite que os dedos tenham espaço real, especialmente na zona do dedo grande e também nos dedos externos. Isto ajuda a que o pé se coloque com mais conforto dentro do sapato e não fique comprimido para os lados.

Quando os dedos vão apertados, o antepé perde parte da sua capacidade de se adaptar ao apoio. E se o quinto dedo ou a zona externa ficarem pressionados, podem surgir desconfortos, durezas ou sensação de carga na lateral.

Em calçado barefoot, a margem recomendada costuma estar entre 0,8 e 1,2 cm à frente do dedo mais comprido. Não se trata de usar o sapato grande, mas de deixar o espaço certo para que o pé se possa mover sem andar a dançar lá dentro.

Sola flexível, drop 0 e mobilidade natural

Uma sola flexível permite que o pé participe mais no movimento. Não obriga a caminhar sobre uma estrutura rígida, mas acompanha melhor os pequenos ajustes do apoio.

O drop 0, ou seja, que o calcanhar e o antepé estejam à mesma altura, favorece uma base mais equilibrada. Não eleva o calcanhar nem desloca o corpo para a frente, algo que pode influenciar a forma como as cargas se distribuem durante a marcha.

Isto não significa que toda a gente deva mudar de repente para um calçado muito minimalista. Significa que, se procuras um calçado mais respeitador do pé, convém que tenha uma base ampla, flexível, sem elevação entre calcanhar e antepé e com espaço suficiente para os dedos.

Palmilhas de transição se vens de calçado tradicional

Se vens de usar calçado rígido, estreito, com muito drop ou muito amortecimento, a mudança deve fazer-se com calma. O pé pode precisar de tempo para recuperar mobilidade, força e tolerância a novas sensações.

Nalguns casos, uma palmilha de transição pode ajudar durante o processo, especialmente se houver desconforto, muita sensibilidade ou uma grande mudança relativamente ao calçado anterior.

A ideia não é depender sempre de uma palmilha, mas facilitar uma adaptação progressiva quando o pé precisa. O importante é escutar os sinais: se a dor aumenta, se surge sobrecarga ou se notas que o pé não está preparado, é melhor ir passo a passo.

Rotina diária para reduzir desconfortos e prevenir sobrecargas

Quando a dor parece relacionada com sobrecarga, pequenas mudanças na rotina podem fazer a diferença. Não se trata de parar tudo sempre, mas de ajustar o que está a irritar a zona.

Ajusta a atividade e evita aumentos bruscos

Se a dor surgiu depois de caminhar mais, correr mais ou mudar de treino, reduz a carga durante uns dias. Podes baixar a distância, a intensidade ou o tempo de pé, e observar se o desconforto melhora.

Os aumentos bruscos são um dos erros mais habituais. O corpo adapta-se, mas precisa de margem. Aumentar quilómetros, mudar de superfície ou estrear calçado e fazer uma caminhada longa no mesmo dia pode ser estímulo a mais de uma só vez.

O ideal é que as mudanças sejam progressivas, especialmente se estás a começar com calçado barefoot ou minimalista.

Mobiliza o pé e fortalece o tornozelo e a musculatura plantar

O pé não precisa só de descanso; também precisa de capacidade de trabalho. Mobilizar os dedos, ativar a musculatura plantar e fortalecer o tornozelo pode ajudar a distribuir melhor as cargas.

Podes começar com exercícios simples:

  • Abrir e fechar os dedos sem forçar

  • Levantar os dedos mantendo o resto do pé apoiado

  • Caminhar descalço em casa uns minutos se não houver dor

  • Fazer equilíbrios suaves perto de uma parede

  • Trabalhar o gémeo e o tornozelo de forma progressiva

A chave é que não doa. Se um exercício aumentar o desconforto lateral, é melhor reduzir a intensidade ou consultá-lo com um profissional.

Observa quando surge a dor e com que sapatos

Durante uns dias, repara em três coisas: quando dói, onde dói e com que calçado surge.

Podes notar que a dor surge com umas sapatilhas concretas, depois de muitas horas de pé ou ao caminhar depressa. Também pode surgir só num pé, só ao correr ou só em superfícies duras.

Essa informação é muito valiosa. Ajuda a perceber se o desconforto está mais relacionado com o calçado, com a carga, com a passada ou com uma possível lesão que necessita de avaliação.

E perante qualquer dúvida, consulta o teu profissional.

Quando recorrer a um podologista ou fisioterapeuta

Convém recorrer a um podologista ou fisioterapeuta se a dor não melhorar em uns dias, se for aumentando, se surgir inflamação, se houver dor muito localizada num ponto ósseo, se custar apoiar ou se o desconforto surgir mesmo em repouso.

Também é recomendável verificar se a dor volta sempre que aumentas a atividade, se há sensação de instabilidade no tornozelo, se tiveste uma entorse recente ou se notas formigueiro, dormência ou perda de força.

Um profissional poderá avaliar a passada, o calçado, a mobilidade do pé e do tornozelo, a força muscular e a zona exata da dor. Por vezes basta ajustar a rotina e o calçado. Outras vezes é preciso descartar uma lesão, como uma tendinopatia, uma alteração do cuboide ou uma fratura de stress.

Escutar a dor a tempo ajuda a evitar que um pequeno desconforto se transforme num problema mais prolongado.

Perguntas frequentes sobre dor no bordo externo do pé

Porque me dói a lateral externa ao caminhar?

Pode dever-se a uma sobrecarga, a um apoio muito marcado para o bordo externo, a pressão do calçado, a um aumento brusco de atividade ou a uma irritação de estruturas da zona lateral do pé. Se a dor for pontual e melhorar com descanso, pode ser algo ligeiro. Se se mantiver, aumentar ou dificultar o apoio, convém verificá-lo.

Pode dever-se à passada?

Sim, a forma como distribuis o peso ao caminhar pode influenciar. Se carregas muito sobre a lateral externa, essa zona pode receber mais pressão do que tolera. Ainda assim, não se deve avaliar a passada de forma isolada: também importam o calçado, a atividade, a mobilidade, a força e o histórico de desconfortos.

Que calçado é melhor se me dói o bordo externo?

Um calçado com biqueira anatómica, espaço suficiente para os dedos, sola flexível, boa base de apoio e drop 0 pode ajudar a que o pé tenha mais liberdade e não fique comprimido. Também é importante que o sapato ajuste bem: nem estreito nem demasiado grande. Se vens de calçado tradicional, a transição deve ser progressiva.

Quando pode ser uma lesão e não uma sobrecarga?

Pode ser algo mais do que uma sobrecarga se a dor for muito localizada, se houver inflamação, se surgir depois de um gesto concreto, se piorar com a atividade e não melhorar com o descanso, se doer ao tocar num ponto específico ou se custar apoiar o pé. Nesses casos, o melhor é consultar um profissional para avaliar a zona e descartar uma lesão.

Põe à prova

Responde às perguntas para ver quanto sabes.

1. O que pode indicar a dor no bordo externo do pé?

2. Que sinal pode indicar que estás a carregar demasiado sobre os dedos externos?

3. Como pode um calçado estreito influenciar a dor lateral do pé?

4. O que convém fazer se a dor não melhorar, aumentar ou dificultar apoiar o pé?

Alejandro Martínez Calderón

Escrito por

Alejandro Martínez Calderón

Podólogo & Founder

Podólogo especializado em biomecânica do pé. Apaixonado pelo calçado respeitoso e pela saúde natural do pé.

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