O que são os dedos em garra e os dedos em martelo
Os dedos em garra e os dedos em martelo são deformidades que afectam os dedos do pé, normalmente a partir do segundo dedo. Em ambos os casos, o dedo perde o seu alinhamento natural e adopta uma posição flectida que não deveria manter-se de forma permanente.
Embora à primeira vista possam parecer a mesma coisa, não são. Compreender a diferença ajuda a identificar melhor o problema e a actuar antes que avance.
Perante qualquer dúvida, consulte o seu especialista.
Diferenças-chave entre ambas as deformidades
O dedo em martelo surge quando o dedo se dobra sobretudo pela articulação do meio. Por isso, visto de lado, parece que o dedo forma uma espécie de “bico” ou ângulo para cima.
Por outro lado, o dedo em garra costuma afectar mais zonas do dedo. A base do dedo tende a levantar-se, enquanto as articulações do meio e da ponta se dobram para baixo. Por isso o dedo fica mais encolhido, como se tentasse agarrar-se ao chão.
Dito de forma simples: no dedo em martelo o problema concentra-se sobretudo na parte média do dedo; no dedo em garra, o dedo retrai-se mais e participam também a base e a ponta.
O que acontece nas articulações do dedo
Cada dedo tem várias articulações que permitem o seu movimento. Quando há um desequilíbrio, estas articulações deixam de trabalhar de forma coordenada.
Os tendões que flectem e estendem o dedo começam a “puxar” em direcções opostas sem controlo, o que acaba por fixar o dedo numa posição anormal. No início pode ser flexível (é possível corrigir com a mão), mas com o tempo pode tornar-se rígido.

Causas dos dedos em garra e em martelo
Estas deformidades não costumam aparecer de um dia para o outro. O habitual é que sejam o resultado de uma soma de factores mantidos ao longo do tempo.
Uso de calçado estreito ou inadequado
Um dos factores mais habituais é o uso de calçado com biqueira estreita ou com pouco espaço para os dedos. Quando os dedos não conseguem estender-se, adaptam-se à forma do sapato.
Essa posição mantida favorece que os músculos e tendões se adaptem a essa postura, facilitando a deformidade.

Desequilíbrios musculares e biomecânicos
O pé funciona como um sistema em equilíbrio. Quando alguns músculos trabalham mais do que outros ou perdem força, o controlo do dedo altera-se.
Isto pode estar relacionado com:
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Falta de força na musculatura intrínseca do pé
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Alterações na pisada
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Alterações na mobilidade do tornozelo ou do antepé
Problemas neurológicos ou doenças associadas
Algumas condições podem favorecer este tipo de deformidades, como:
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Neuropatias
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Diabetes
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Doenças neuromusculares
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Artrite
Nestes casos, o controlo muscular ou a estrutura articular já estão comprometidos, o que facilita que o dedo adopte posições anormais.
Sintomas mais habituais
Dedos flectidos ou em posição anormal
O sinal mais evidente é a forma do dedo. Pode ver-se encolhido, elevado na base ou com a ponta a apoiar de forma diferente.
Dor, esfoladelas e aparecimento de calos
Ao mudar a forma do dedo, mudam também os pontos de pressão. Isto pode provocar:
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Esfoladelas com o calçado
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Calos na parte superior ou na ponta do dedo
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Incómodos ao caminhar
Dificuldade ao caminhar ou ao usar calçado
À medida que a deformidade progride, encontrar um calçado confortável pode tornar-se complicado. Também pode aparecer sensação de instabilidade ou fadiga ao caminhar.
Como prevenir os dedos em garra e em martelo
Escolha de calçado com espaço suficiente
O calçado deve permitir que os dedos estejam alinhados e com espaço real. Não só em comprimento, mas também em largura e altura.
Uma biqueira ampla e sem compressão ajuda a que os dedos não tenham de adaptar-se a uma forma que não é a sua.
Exercícios para fortalecer e mobilizar os dedos
O trabalho activo do pé pode fazer a diferença, sobretudo em fases iniciais. Alguns exemplos:
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Separar e mover os dedos de forma activa
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Apanhar objectos com os dedos
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Exercícios de mobilidade do antepé
Hábitos que ajudam a manter o alinhamento natural
Pequenas alterações do dia-a-dia somam:
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Evitar muitas horas seguidas com calçado estreito
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Alternar tipos de calçado
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Dar tempo ao pé para se mover livremente

Tratamento dos dedos em garra e em martelo
Medidas conservadoras e alterações no calçado
Em fases iniciais ou moderadas, a abordagem costuma ser conservadora:
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Adaptar o calçado
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Reduzir pontos de pressão
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Manter a mobilidade do dedo
Uso de protectores ou separadores
Podem ajudar a reduzir esfoladelas ou melhorar a posição do dedo de forma temporária. Não corrigem por si só a deformidade, mas podem aliviar incómodos.
Quando é necessária a cirurgia
Quando o dedo está rígido, dói de forma constante ou limita a vida diária, pode ponderar-se a opção cirúrgica. É sempre uma decisão individual que requer avaliação profissional.
Que calçado escolher se tens esta deformidade
Importância da biqueira larga e flexível
O objectivo é claro: que o dedo não tenha de comprimir-se.
Uma biqueira ampla permite que os dedos recuperem espaço. Se, além disso, o calçado for flexível, não bloqueia o movimento natural do pé.
Materiais e ajuste que reduzem a pressão
Materiais macios e adaptáveis na zona do antepé ajudam a reduzir a fricção. O ajuste deve segurar sem apertar.
O que evitar para não agravar a deformidade
Convém evitar:
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Biqueiras estreitas ou em bico
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Materiais rígidos na zona dos dedos
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Calçado que empurre os dedos para cima ou para dentro
Quando recorrer a um especialista
Dor persistente ou agravamento progressivo
Se a dor não melhora ou a deformidade avança, é altura de avaliar o caso de forma individual.
Limitação ao caminhar ou ao realizar actividades
Quando afecta o teu dia-a-dia, não faz sentido esperar que vá a mais.
Avaliação profissional e diagnóstico
Um profissional pode determinar:
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Tipo de deformidade
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Grau (flexível ou rígido)
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Opções de tratamento mais adequadas
Perguntas frequentes sobre dedos em garra e em martelo
Podem corrigir-se sem cirurgia?
Depende do estado. Em fases iniciais (quando o dedo ainda é flexível), é possível melhorar a função e travar a progressão com exercícios, alterações de calçado e controlo de cargas. Quando a deformidade é rígida, a correcção completa sem cirurgia é mais limitada.
Pioram com o tempo?
Podem fazê-lo se se mantiverem os factores que os provocam, como o uso de calçado estreito ou a falta de mobilidade. Nem sempre progridem do mesmo modo em todas as pessoas.
Os dedos em garra podem causar dor noutras zonas do pé?
Sim. Ao mudar a forma de apoiar, podem aumentar as cargas no antepé, o que pode gerar incómodos na planta do pé.
Põe à prova
Responde às perguntas para ver quanto sabes.
1. Qual é uma diferença habitual entre o dedo em martelo e o dedo em garra?
2. Que tipo de calçado pode favorecer o aparecimento de dedos em garra ou em martelo?
3. Que sintoma é frequente nestas deformidades?
4. Que característica pode ajudar a reduzir a pressão sobre os dedos?
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